Conselho do CERN aprova a Estratégia Europeia para a Física de Partículas

Numa sessão aberta realizada em modo virtual, o Conselho do CERN adoptou unanimemente a actualização do documento de Estratégia Europeia para a Física de Partículas que deverá guiar o futuro da área. As recomendações destacam o potencial científico, tecnológico, económico e de capital humano da física de partículas.

Uma sessão dedicada ao impacto em Portugal da Estratégia decorrerá no dia 2 de Julho às 14h30, com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e a intervenção remota da Directora-Geral do CERN, Fabiola Gianotti (página web da sessão).

"A Estratégia é, acima de tudo, guiada pela ciência e apresenta as prioridades científicas para esta área,” diz Ursula Bassler, presidente do Conselho do CERN. “O Grupo Europeu de Estratégia (ESG) — um órgão específico criado pelo Conselho — liderou com sucesso a reflexão para a qual contribuíram várias centenas de físicos europeus.” A visão científica delineada na estratégia deve servir de orientação ao CERN e permitir uma política científica coerente na Europa.

A actualização de 2020 da Estratégia Europeia para a Física de Partículas propõe simultaneamente uma visão para o futuro próximo, em que a fase de alta luminosidade do LHC (conhecida como HL-LHC) é a prioridade, e uma visão de longo prazo, mantendo a Europa no papel de líder na física de partículas e nas tecnologias inovadoras que desenvolve. As grandes prioridades futuras são o estudo do bosão de Higgs e a exploração da fronteira de alta energia: duas formas fundamentais e complementares de abordar as grandes questões em aberto na física de partículas.

A construção de um futuro colisionador electrão-positrão, uma “fábrica de Higgs”, permitiria medir com grande precisão as propriedades desta partícula fundfamental, descoberta em 2012 no LHC. Seria instalado numa escala de tempo inferior a 10 anos após a exploração total do HL-LHC, que deve terminar o funcionamento em 2038. A outra prioridade da Estratégia é que a Europa, em colaboração com a comunidade internacional, realize o estudo de viabilidade para um colisionador de hadrões de nova geração com a energia mais alta possível, preparando-se para os objectivos científicos de longo prazo de exploração da fronteira de alta energia. 

A Estratégia enfatiza a importância de reforçar a investigação e desenvolvimento (I&D) em tecnologias avançadas de aceleradores de partículas, bem como em infraestruturas de computação, como pré-requisitos necessários a todos os projectos futuros. Salienta ainda os inúmeros potenciais benefícios para a sociedade deste esforço de I&D.

“Esta é uma estratégia muito ambiciosa, que proporciona um futuro brilhante à Europa e ao CERN. Continuaremos a investir em programas de cooperação fortes entre o CERN e os centros de investigação europeus,” declarou Fabiola Gianotti, directora-geral do CERN, “pois estes são essenciais para o progresso científico e tecnológico sustentável, assim como os benefícios sociais que acarretam.” Mário Pimenta, Delegado de Portugal ao Conselho do CERN e Presidente do LIP — Laboratório de Instrumentação e Partículas, considera que esta Estratégia “abre o caminho à exploração de novas fronteiras do conhecimento e vai manter a Europa na liderança da ciência e da tecnologia,” o que, acrescenta, “se traduzirá, como no passado, em enormes impactos directos na sociedade e no desenvolvimento.

Notícias nos media: Público, Expresso


Publicado/editado: 22/06/2020

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